Tudo começou com uma saudade profunda, daquelas que apertam o peito e inspiram ações grandiosas. Em 1992, um grupo de pernambucanos radicados em Brasília, liderados pela família Carvalho, enfrentou um obstáculo inesperado: o confisco da poupança pelo governo Collor. Esse evento econômico impediu que muitos pudessem viajar de volta a Recife para participar do icônico Galo da Madrugada, o maior bloco de carnaval do mundo, segundo o Guinness Book. Romildo Carvalho (1926-2000), o patriarca e idealizador do primeiro estandarte do bloco, não se conformou. "Já que não podemos ir ao Galo, vamos trazer o Galo para Brasília", lembrou-se ele, conforme relatos preservados pelos fundadores.
Apenas uma semana antes do carnaval, surgiu o "Galinho da Madrugada... Por Enquanto", uma alusão direta ao bloco pernambucano que serviu de inspiração. O embrião foi modesto: um encontro na CLS 203/204, em frente à Pizzaria Psiu, no sábado de Zé Pereira, 29 de fevereiro de 1992. Foram confeccionadas 120 camisetas com a estampa de um galo e a frase ousada "93 vem aí" nas costas. Um carro de som simples e quatro fitas cassete com frevos de Alceu Valença e outros intérpretes bastaram para colocar o bloco na rua. Os organizadores recusaram ajuda financeira de amigos, priorizando a presença: precisavam de foliões corajosos para dançar o frevo em uma cidade que, na época, parecia indiferente ao carnaval.
A surpresa veio rápida. O Correio Braziliense, jornal de maior circulação no Distrito Federal à época, publicou na primeira página a foto do grupo com a manchete "Carnaval de Brasília sob ritmo de frevo". O resultado? Cerca de 500 pessoas no primeiro dia e mais de 1.000 no segundo. As emissoras de TV cobriram o evento, e o Galinho rapidamente se consolidou como parte do imaginário local. Ainda sob a emoção da folia, cartazes coletaram nomes de interessados em organizar o próximo ano. Em 23 de fevereiro de 1992, nasceu o Grêmio Recreativo da Expressão Nordestina – Galinho de Brasília, com 23 sócios fundadores. Seu estatuto define a missão: promover manifestações culturais nordestinas, especialmente o frevo, por meio de bailes e desfiles.
O frevo, aliás, é o coração pulsante do Galinho. Consagrado como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo IPHAN em 2007 e da Humanidade pela UNESCO em 2012, esse ritmo acelerado e dançante encontrou em Brasília um novo lar. O bloco trouxe não só a música, mas também os elementos visuais: sombrinhas coloridas, passistas habilidosos e uma energia que mistura tradição com inclusão.
Galinho de Brasília frevando rumo ao Hexa na segunda de Carnaval -
Ao longo de mais de três décadas, o Galinho enfrentou altos e baixos, mas sempre ressurgiu mais forte. Após o sucesso inicial, veio o primeiro baile na Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal (APCEF), com a Orquestra do Galinho sob a batuta do maestro Geraldo Mendonça. Frederico Bérgamo, um dos fundadores, foi o responsável por essa iniciativa. A presença de Dona Carminha Freire, esposa do presidente do Galo da Madrugada, Enéas Freire, e de seu filho Gustavo Travassos, cantor oficial do Galo, selou o reconhecimento: o Galinho foi batizado como o primeiro "bloco afilhado" do Galo da Madrugada.
Nesse baile, a Banda de Pau e Corda interpretou pela primeira vez o Hino do Galinho, com letra de Clésio Ferreira e música do maestro Dinaldo Domingues. Hoje, a orquestra é comandada pelo maestro Fabiano Medeiros, da Orquestra Popular Marafreboi, garantindo que o frevo continue vivo e vibrante.
Não faltaram desafios. Em 2019, o bloco sofreu um cancelamento inédito devido a custos elevados e restrições orçamentárias. Mas a resiliência prevaleceu. Em 2024, o Galinho retornou à Asa Sul, seu local tradicional, após anos de adaptações. Hoje, com 34 anos de história, ele atrai públicos de até 60 mil foliões, sendo considerado o bloco mais querido e seguro de Brasília. Trio elétrico, instrumentos de sopro, bonecos gigantes e fantasias coloridas transformam as ruas em um pedaço de Recife no Planalto Central.
Galinho de Brasília frevando rumo ao Hexa na segunda de Carnaval ...
Uma das inovações mais encantadoras do Galinho é o Pintinho de Brasília Oficial, criado como uma extensão infantil do bloco principal. Gerido pela mesma equipe, o Pintinho foca em crianças de 3 a 12 anos, com brincadeiras seguras, frevo adaptado e elementos educativos. Ele representa o "herdeiro" do legado, passando o bastão da alegria para as novas gerações. No dia 16 de fevereiro de 2026, o Pintinho abre a programação das 9h às 13h, preparando o terreno para o Galinho à tarde.
Essa colaboração entre os eventos enfatiza a inclusão familiar. Com áreas adaptadas para Pessoas com Deficiência (PCD) e intérpretes de Libras, o Pintinho garante que todos possam participar. "O Pintinho é onde as sementes da folia são plantadas", diz um dos organizadores. É uma forma de perpetuar a tradição, unindo pais, avós e crianças em uma celebração democrática e gratuita.
Com o DF Folia 2026 já em andamento – um festival com 73 blocos espalhados pelo Distrito Federal e um investimento de R$ 10 milhões do Governo do Distrito Federal (GDF) –, o Galinho se prepara para brilhar. No dia 16 de fevereiro, a concentração no Setor de Autarquias Sul promete trios elétricos potentes, orquestras de frevo e homenagens a figuras como JK, fundador de Brasília. A programação inclui misturas de ritmos, com toques de samba e marchinhas, celebrando a diversidade brasileira.
Parcerias com patrocinadores, como cervejarias e apps de mobilidade, oferecem descontos e ativações. Eventos de aquecimento, como oficinas de dança em parques e shoppings, já estão aquecendo o público. Apesar de controvérsias recentes, como a seleção inicial de blocos no DF Folia, o Galinho segue firme, representando a união cultural.
Dicas para os foliões: Use fantasias leves, protetor solar e hidrate-se, pois o clima de fevereiro pode ser imprevisível. O evento é gratuito, mas chegue cedo para curtir o Pintinho com as crianças e a transição para o Galinho.
O Galinho vai além da festa: ele constrói pontes entre o Nordeste e o Centro-Oeste, enriquecendo a identidade brasiliense. Turistas de todo o Brasil lotam hotéis, impulsionando a economia local. Em um mundo onde tradições se perdem, o bloco preserva o frevo como herança viva.
Olhando para o futuro, planejamos expandir: edições temáticas, parcerias digitais e mais inclusão. Este blog será o hub para tudo isso – posts sobre bastidores, entrevistas com fundadores e dicas de carnaval.
Blocos de Carnaval e dicas culturais para a programação do fim de ...
Essa é a história do Galinho de Brasília: de uma saudade em 1992 a um legado de 34 anos. No dia 16 de fevereiro de 2026, junte-se a nós para dançar, cantar e celebrar. Siga nossas redes (@galinhobsb e @pintinho_de_brasiliaoficial), inscreva-se e compartilhe suas memórias. Vamos frevar juntos!
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